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Quando o amor chega - Final


Cinco meses se passaram e a irmã de Renata voltaria para o trabalho. Renata não sabia como se sentir, sabia que a lanchonete não podia continuar com sua contratação, e sabia que jamais veria Mateus em outras ocasiões senão ali. Todo esse tempo passou e ela ainda não havia tido coragem de dizer o que sentia, cada dia ficava mais forte, mais incontrolável e impossível de dissimular. A idéia de entregar um bilhete não atraía tanto agora. A reação que ele teria a assustava, mesmo sem saber como seria. Se ele correspondesse tudo ficaria maravilhoso, mas se ele a rejeitasse, ela teria que ir embora, sem emprego, sem amor e com o coração partido.

Mas ela não podia sair sem saber como seria. Escreveu o que sentia e pretendia entregar naquele dia à tarde. Foi uma preparação intensa, ficou um mês escrevendo e corrigindo, imaginando sua reação e modificando o texto, planejando cada detalhe para que nada saísse errado.

Ela entraria em sua sala para assinar a recisão do contrato, e diria que precisava que ele soubesse de uma coisa que estava prendendo seu coração, entregaria o texto, e esperaria a reação dele... Talvez não fosse um plano tão bom, talvez fosse melhor olhar pra ele e falar, mas ela sabia que não conseguiria dizer nada.

A hora havia chegado, deu uma última olhada no texto, para conferir se tudo estava direito:

Mateus, eu tentei evitar, tentei me convencer de que isso é um engano, me convencer de que você não era pra mim, ou de que eu não era pra você, mas... Nossa combinação é inegável! E eu não consigo mais ficar perto de você sem me sentir perdidamente atraída.

Não era pra acontecer, mas aconteceu. Penso em você todo o tempo, sinto a sua falta como louca... Só gostaria que você soubesse disso, porque eu não quero passar a vida imaginando que poderia ter vivido ao seu lado.

Quando você não está por perto e o telefone toca eu rezo pra ser você, só pra escutar a sua voz, quando chega alguém eu olho na esperança de ver você, quando recebo e-mails, torço tanto pra que seja seu...Dizendo qualquer coisa, só pra eu sentir que você se importa.

E quando estou com você... Nem consigo me concentrar, porque fico imaginando como seria se você soubesse... Quando você me olha eu gostaria que todas as pessoas ao redor pudessem congelar, pra eu poder curtir esse momento sozinha com você.

Me desculpe acabar com nossa amizade assim, mas eu não posso fingir que sinto apenas amizade, se quando te olho eu imagino como seria bom ser sua e poder expressar aos quatro ventos tudo o que sinto por você.

Talvez um pouco exagerado, mas não era mais do que o seu amor. Entrou na sala e lá estava ele, de pé na frente da mesa, revendo o contrato.

- Renata...

- Oi.

Ela sentia como se a sala estivesse cheia de uma emoção não demonstrada, e tinha certeza de que ele sentia o mesmo, só lhe faltava agora a coragem de lhe entregar o texto.

- Renata, este é o seu contrato, se puder sentar, dar uma olhada, você assina nesta linha. Olha, eu sinto muito você ter que ir... Eu gostaria de poder fazer alguma coisa por você, mas eu não pude. Sinto muito.

Enquanto ele falava, ela assinava e tirava o texto do bolso, porém, antes de entregar, alguém entrou na sala comunicando que a empresa de consultoria havia chegado e esperavam para falar com ele.

- Então, é isso. Eu... Espero que dê tudo certo.

Ela levantou-se e eles não sabiam nem ao menos como se despedir. Um aperto de mãos, um abraço ou nada... Optaram por um aperto de mãos. Ela virou-se para sair, mas percebeu que não podia deixar aquilo assim.

- Mateus, eu... Sei que há pessoas esperando você, mas eu preciso te dizer...

Quando olhou para ele, no entanto, tudo foi esquecido. Ela estendeu o papel com o texto, mas quando ele se aproximou, não pegou o papel. Simplesmente envolveu sua cintura enquanto lhe beijava com o carinho e emoção represadas todo esse tempo.

Neste instante, o mundo deixava de existir para os dois, não estavam mais naquela sala, estavam em local algum. Só sabiam sentir e respirar. E quando o beijo acabou, eles se olharam, cada um a seu modo, entendendo que à sua frente estava a pessoa que complementava seu próprio ser, e que o tempo esperado agora não era nada, porque finalmente estava acontecendo, e era atemporal.

Abraçaram-se com uma felicidade tranqüilizante, que dispensava as palavras. Mas, de repente, eles voltaram ao mundo e lembraram-se de que alguém estava esperando. Eles se olharam e riram.

- Você me espera?

- Sempre.

Eles beijaram-se novamente, e ao sair da sala Renata guardou o texto no bolso novamente. Riu para si ao lembrar de todo o nervosismo que havia passado. Mas não se arrependia, porque sairia dali, finalmente, completa.



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Quando o amor chega - 2ª parte

Primeira parte: Quando o amor chega - 1ª parte

Mesmo pensando bem, ela não conseguia se lembrar, quando deixara de considerá-lo um amigo e passara a querer algo mais? Ainda lembrava-se dos primeiros dias, quando não se importava em controlar o que diria a ele, ou mesmo o que vestiria para impressioná-lo. Que não conseguia enxergar nele nada de atraente, talvez aquele seu estilo sério e compenetrado, mas nada de mais interessante para notar. Mas agora tentava refletir quando foi que tudo mudou. Talvez naquele dia...


Na segunda semana em que estava substituindo sua irmã na lanchonete, ela acabou perdendo a hora e chegando atrasada, sabia que a lanchonete era muito rígida a este respeito, mas esperava que nada fosse acontecer, porque era a primeira vez que se atrasava. No entanto, Mateus a chamou para conversar em sua sala.


Esperava por um sermão e rezava para não haver uma demissão, mas o que aconteceu foi totalmente inesperado. Ele começou com um sermão, mas alguma coisa no seu tom de voz, ou talvez nas palavras que estava usando, fizeram com que um diálogo se desenvolvesse. Quando ela havia entrado na sala, o clima estava pesado e os dois estavam nervosos e tensos, mas depois de algumas palavras eles se olhavam com tranquilidade  e a conversa fluía com leveza. Aquilo com certeza não era mais um sermão.


Renata saiu da sala meio a contragosto, quando uma funcionária foi comunicar que um fornecedor havia chegado. A partir daquele dia ela não conseguia mais tirar os olhos dele, analisando suas características, sua personalidade e, principalmente, suas qualidades.


Assim, havia chegado na situação em que se encontrava, não sabia o que dizer quando ele estava por perto, perdia todo e qualquer assunto para puxar uma conversa, sem contar que achava tudo que ele fazia perfeito, ele era responsável, inteligente, gentil, compreensivo e muito atencioso.


- Não se acha mais homens assim na face da terra, mana! Ai, eu quero ele! Eu preciso dele!


- Renata, esquece isso! Por favor! Você e ele não tem nada a ver!


- Talvez possamos ser como arroz e feijão! Não tem nada a ver, mas juntinhos fazem o maior sucesso! Sem contar que nunca enjoa...


As duas riram juntas, enquanto Renata imaginava uma forma de conseguir dizer o que sentia.


- Eu vou escrever... Vou escrever num bilhete e vou entregar pra ele... O que você acha?


- Não sei... Não é muito sem emoção? Ele nem vai estar vendo você e você não vai ver a reação dele...


- Eu entrego o bilhete e peço pra ele ler, na minha frente.


- Bom... Talvez funcione melhor assim...


- É! Vai ser o bilhete mais lindo e romântico que ele já recebeu, você vai ver.



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Quando o amor chega - 1ª parte

Não foi amor à primeira vista, mas aquele sentimento simplesmente surgiu, aos poucos, dominando cada pensamento seu, até o ponto de não conseguir mais esconder sua admiração e carinho por aquele homem. Esse sentimento era o que ela esperava sentir toda a vida por alguém e agora estava acontecendo. Ela estava trabalhando de garçonete em um restaurante, apenas para substituir sua irmã, e ele foi encarregado de auxiliá-la quando necessário. À princípio ela o achou incômodo e metido, querendo sempre dar opiniões e mostrar que entendia de tudo, no entanto, mostrou-se divertido, preocupado e gentil.

Agora mesmo ela estava parada no balcão, olhando para ele fixamente e sem saber o que fazer para sufocar o que sentia. De repente, ele olhou, ela, tentando desviar o olhar, e fingir estar fazendo outra coisa, acabou derrubando toda uma bandeja de copos lavados, que se espatifaram no chão ao mesmo tempo que todos olhavam em sua direção.

Mateus veio ajuda-la e aquilo a fez sentir mais ridícula e incapaz como nunca havia sentido em toda sua vida. Pior seria se ele tivesse notado sua cara de paixão descontrolada ao olhar para ele.

- Essas coisas sempre acontecem, não se preocupe. – disse ele, tentando acalmá-la.

- Já faz duas semanas que estou aqui e continuo fazendo besteiras. Ainda bem que sou temporária.

- Olha, se está dizendo isso para me comover, fique sabendo que não funcionou, ok? – disse sorrindo, com aquele olhar que a hipnotizava.


“Como eu gostaria que ele soubesse o quanto o admiro. Como eu gostaria de dizer o que sinto por ele, o quanto estou apaixonada e saber qual seria a sua reação. Mas ele com certeza me rejeitaria.”






Continuação: Quando o amor chega - 2ª parte